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terça-feira, 3 de março de 2009

estática #1

– quando ela era nova, ela não se sentia bem com o seu corpo. quer dizer, ninguém lhe dizia que ela era bonita. e ela entrou na puberdade muito cedo.
– sim, eu lembro-me.
– depois encontrei-a uns anos mais tarde numa loja de roupa, daquelas caras, e ela disse-me que costumava ir para essas lojas e vestir as roupas mais caras para que as funcionárias lhe dissessem o quão bonita ela ficava com essas roupas. é óbvio que elas diziam que ela ficava linda porque elas querem vender. ela sabia disso.
– elas ganham comissões com essas vendas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

hotel chevalier



- have you slept with anyone?
- no. have you?
(pause)
- no.
- that was a long pause.
(silence)
i guess it doesn’t really matter.
- no it doesn’t.

[...]

- if we fuck, i’m gonna feel like shit tomorrow.

- that’s okay with me.


in
hotel chevalier
de wes anderson

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

the acceptance of absolute negation


- what's the worst thing you can imagine?
- chickens. small boys with chickens.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"she tied you to her kitchen chair. she broke your throne and she cut your hair."


and then he said:
well baby I've been here before...
i've seen this room and i've walked this floor.
i used to live alone before I knew ya...


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

vamos mas é ter calma...

sim, ok, eu estou a perceber. tu disseste-lhe. porque tinhas de o dizer, claro...
mas e ela? disse o quê?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ela disse: tu és como uma quarta-feira.




e logo a seguir:
quando estou contigo, não sinto a falta de nada.

(ela tinha passado pelo suficiente para poder dizer estas coisas assim, com esta propriedade de quem sabe)








e ele disse:
"eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao florent beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus olhos dos teus lábios do teu pescoço dos teus peitos do teu rabo do teu

e sentar-me nos degraus a fumar até o teu vizinho chegar a casa e se sentar nos degraus a fumar até chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasada e ficar surpreendido quando chegas cedo e dar-te girassóis e ir à tua festa e dançar até ficar todo negro e pedir desculpa quando estou errado e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustado quando estás zangada e um dos teus olhos vermelho e o outro azul e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és lindíssima e abraçar-te quando estás ansiosa e amparar-te quando estás magoada e querer-te quando te cheiro e ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para o teu peito e cobrir-te à noite e ficar frio quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando sorris e desintegrar-me quando te ris e não compreender por que é que pensas que eu te estou a deixar quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar em quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre o rapaz da floresta encantada de árvores anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar por que é que tu não acreditas em mim e ter um sentimento tão profundo que para ele não existem palavras e querer comprar-te um gatinho do qual teria ciúmes porque teria mais atenção que eu e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar quando finalmente vais e ver-me livre das baratas e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las de volta outra vez e pedir-te em casamento porque embora tu penses que eu não estou a falar a sério eu estou mesmo a falar a sério desde a primeira vez que te pedi e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando deveria não o fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesto porque sei que preferes assim e esquecer-me de quem sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e
de alguma maneira
de alguma maneira
de alguma maneira transmitir algum do
esmagador,
irresistível,
abrangente,
preenchedor,
desafiante
e contínuo amor que tenho
por ti."


in
"falta"
de sarah kane

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

a olhar para trás

ela disse:
Não é um vício, é uma vingança.
Às vezes acordo a meio da noite e não sei se estou sozinha. A cama não é muito grande. Acordo à procura do corpo que faz falta e só encontro o meu (esse está a mais...). Tenho imagens. Pedaços de qualquer coisa. Duas mãos (tenho saudades das mãos dele) agarram-me as coxas e sinto um hálito quente entre as pernas. Um barulho.
Há muito tempo que é assim.
Começo a pensar nele, e acabo sempre a pensar em mim.

a olhar para a frente

e ele disse:
quando a casa começou a arder, a única coisa que valia a pena salvar era o fogo.


mas ela não ouviu.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

das trutas e dos trutos


y ella dijo:
te quiero mucho. como la trucha quiere el trucho.

e ele primeiro não entendeu. depois riu-se. e depois disse:
eu também.



quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

quiero

ouve, tu vais gostar deste filme porque tu entras neste filme






EM CONSTRUÇÃO







Narrator:
(So apropos: Saw death on a sunny snow)

Him:
For every life...

Her:
Forgoe the parable.

Him:
Seek the light.

Her:
...My knees are cold.

(Running home, running home, running home, running home...)

Her:
Go find another lover; To bring a... to string along!

With all your lies, You're still very lovable.



(I toured the light; so many foreign roads for Emma, forever ago.)





quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

sub. trair.

suponhamos que existe um homem sentado numa cadeira e suponhamos que podes vê-lo. má postura, fantasias recorrentes com mulheres feias. suponhamos que este tipo ignorante tem uma ideia: mostrar a beleza de um objecto que foi abandonado. uma nota, uma fotografia. digamos que se pudesse e não fosse o cobarde que é, gostaria de pôr tudo numa peça de teatro e comover as pessoas até às lágrimas. suponhamos, só suponhamos que o conta à pessoa errada. um amigo... não, uma mulher. e ela rouba-lhe a ideia, e recolhe coisas esquecidas e faz uma bonita peça de teatro e muda a vida das pessoas que a vêem. e ele não volta a ter ideias senão uma nostalgia doentia pelas coisas que devia encontrar e que não encontrou.
e um dia encontra a mulher no caminho e diz-lhe:
a minha vida teria tido sentido encontrando coisas abandonadas, mas tu encontraste-me a mim e encontraste uma ideia.

alberto villarreal

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

you, me & absolut


he said:
this is random.
i have weird memories of you.
(wearing long red socks and red shoes... with a devil may care attitude...)

and she said:
this is common versus common.
i have weird memories of you too.
(pissing in a sink, I think... with curious eyes and a sugar tongue...)

we're on a good mixture. let's not waste it.


domingo, 9 de novembro de 2008

da casa e do cheiro dos livros




ele disse:
guarda tu isto
agora que me perderam para sempre – o tempo, as palavras, a verdade (e a falta dela), as camas desfeitas pela noite e pela manhã.
guarda-me sem pressa, como nunca souberam.
e protege-me de todos os invernos – dos caminhos de lama e das vozes mais frias (eu farei o mesmo quando descobrir como).
afaga-me as feridas com as mãos
e os lábios para que nunca mais sangrem
mesmo que sangrem de novo.
não deixes nunca que me ouça sozinho no que digo antes de adormecer.
ajuda-me a distinguir o que digo por capricho,
por vaidade ou conhecendo o efeito de antemão,
das coisa que digo num impulso,
com o coração na boca.
e espera sempre que seja eu a abraçar-te,
ainda que nunca te tenha dito o que queria.

acorda mais cedo.
e nunca me peças nada de manhã – as manhãs pertence-me. deixa-me regar os vasos da varanda e sai.
atravessa a rua enquanto ainda houver sol.
e assim haverá sempre sol
e para sempre me terás,
como para sempre me perderam por assim não o terem feito.



(manipulação de um texto de maria do rosário pedreira)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

1172 km


e ela disse:
10 horas e 45 minutos no carro... tenho que sacar o carnet.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

sim, tudo bem. mas faças o que fizeres...


talkin' shit about a pretty sunset



and then he said:
in this quiet little place you run your fingers through my hair and whisper "hey".

(and no matter how i try i can't seem to think of anything better to say...)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

o mistério das palavras que um dia quiseram dizer alguma coisa


carta sem destinatário descoberta por ela numa caixa de sapatos esquecida dentro do armário do quarto.

sabes, amor, (e chamo-te amor, sim. não porque o sinta ou te sinta ou isso tenha sequer um valor, mas porque quando digo o teu nome – e disse-o muitas vezes – ele ressoa em mim vago e distante e, por momentos, é como se não o conhecesse, como se fosse o nome de um estranho, de alguém que me foi apresentado por um amigo de um amigo que se cruzou comigo ontem ou anteontem ou antes disso e não deixou nada, que é o que os amigos dos amigos costumam deixar. não me esforcei para que assim fosse. aconteceu. e isso faz-me pena, acredita.) lembrei-me hoje, não sei porquê, de um tio meu.

os meus pais tinham um pequeno T2 na nazaré onde costumávamos passar os fins de semana de bom tempo e esse meu tio costumava ir lá de visita. ele e o meu pai passavam as tardes sentados na sala minúscula a discutir o mundo e o silêncio, e eu, por algum motivo que agora me escapa, sentava-me com eles.
não devia ter mais de sete anos... sim, não podia ter mais de sete anos...

é uma memória quente, amor, (desculpa, já falámos disto) a do meu pai sentado no seu cadeirão gasto, com o cinzeiro de pé ao lado (um africano escanzelado semi-despido a segurar um alguidar acima da cabeça) e a cigarrilha com aquele cheiro enjoativo sempre acesa na mão direita. o meu tio sentava-se no sofá em frente. “senta-te aqui comigo, rapaz” era o que ele dizia, e batia a mão aberta na almofada. eu (porque era obediente, lembro-me agora) sentava-me.

e aqui entra a razão de tudo isto. a razão (só pode ser esta) pela qual este meu tio em que nunca penso me assolou hoje sem que o consiga sacudir.
é que este meu tio tinha o hábito de passar essas horas de conversa a comer rebuçados. e eu, tão perto que estava dele, conseguía ouvi-lo (e ele sabia) a desembrulhá-los dentro do bolso do casaco, conseguía ver (ele sabia que eu conseguía ver) os seus dedos atarefados a esticar o papel plástico por detrás da fazenda e, sobretudo, sentia o hálito frutado da sua boca sempre que ele expirava na minha direcção.

nunca me deu nenhum.

e eu, criança, ficava ali. à espera de ser presenteado com um (bastava um) rebuçado que nunca chegava. dias e dias de “ontem esqueceu-se, hoje é que é”.

foi (acho eu) o meu primeiro encontro com a crueldade.

não sei porque é que me lembrei disto, nem sei até que ponto isto é uma memória fiel do que realmente acontecia. porque (sei agora) nós enchemos os espaços vazios da memória com aquilo que gostávamos de ter guardado. e mesmo as coisas que recordo (cada vez menos) de nós (as tardes em frente ao rio em que eu dormia o que não dormia em casa, as viagens de autocarro nos bancos de trás, os fins de semana em mira, o ajudar as tuas irmãs a fazer os trabalhos de casa, os últimos pisos de prédios quase abandonados, a tristeza sempre presente dos olhos da tua mãe, o pensar em fugir, as noites de descoberta, e o pouco que faz sentido depois disso) estão inundadas de cores que nunca tiveram, de frases que nunca disseste (por eu não saber ouvir e por não saberes como dizê-las), de coisas que nunca chegaram a ser feitas e de sentimentos que só existiam por não os sabermos nomear.

custa muito subtrair tanto. mas tudo isto se subtrai sozinho. sem o mínimo esforço daquele que fica a perder.

de qualquer forma, este meu tio morreu há muito.
eu cresci.
e agora, amor, como os rebuçados que quero.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

e ela disse:



"...eventualmente, mais cedo ou mais tarde, tu vas tombé..."