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sábado, 3 de agosto de 2013

temo

temo que daqui a dez anos
a minha geração terá milhões e milhões de vídeos e fotografias
e nada para mostrar.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

dói-me a cabeça. mas só do lado do ventrículo esquerdo.

abaixo do átrio.
a insistir para lá das cordas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

perdi


I've lost my notebook.
I've lost a poem.

It was a great one.
It was eleven pages long.

It was about my father saying he couldn't hear me.
It was about the X I cut into the back of my hand.

It was about seeing yet another friend on heroin.
It was about that little boy kicking that bird to death.

It was about the four leaf clover someone sent me.
It was about the time I could not stop sleeping.

It was about mailing anonymous hate letters.
It was about finding bruises all over my legs.

It was about the bartender who wouldn't let me pay.
It was about trying to find the cool spot on the pillow.

It was about the lipstick I stole from a girl's medicine cabinet.
It was about seeing my favorite poet shake when she gave a reading.

It was about the tape I ripped out of someone's answering machine.
It was about the friend who banged on my door and I did not let her in.

It was about watching MTV after school and wondering if I'd look like that when i grow up.
It was about my mother lying on the kitchen floor and the dog licking her face.

It was about what happened when I forgot how much Milk my boyfriend liked in his coffee.
It was about the time I read someone's diary and ripped out the pages about me.

It was about going to the bus station and not knowing where I was going.
It was about coming in late from a movie and kissing through the credits.

It was about the car I could not drive.
It was about my party when no one came.

It was about the last time you touched me.
It was about the way you walked away.

It was the best thing I've ever written.
It was everything I wanted to say.

I've lost my notebook.
I've lost a poem.


Lost de Nicole Blackman

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

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I’m a tranquilizer.
I’m effective at home.
I work in the office.


I can take exams
on the witness stand.
I mend broken cups with care.
All you have to do is take me,
let me melt beneath your tongue,
just gulp me
with a glass of water.

I know how to handle misfortune,
how to take bad news.
I can minimize injustice,
lighten up God’s absence,
or pick the widow’s veil that suits your face.
What are you waiting for—
have faith in my chemical compassion.

You’re still a young man/woman.
It’s not too late to learn how to unwind.
Who said
you have to take it on the chin?

Let me have your abyss.
I’ll cushion it with sleep.
You’ll thank me for giving you
four paws to fall on.

Sell me your soul.
There are no other takers.

There is no other devil anymore. 






Wislawa Szymborska




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

vice-versa



Tenho medo de ver-te

necessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te

tenho vontade de encontrar-te


preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te

tenho urgência de ouvir-te

alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te

ou seja


resumindo
estou fodido
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
e também
vice-versa.



Mario Benedetti





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

reparaste como o Outono este ano veio por outro lado, como se fosse pelo lado de dentro?




era preciso mais do que silêncio, 
era preciso pelo menos uma grande gritaria, 
uma crise de nervos, um incêndio, 
portas a bater, correrias. 
mas ficaste calada, 
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo, 
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde, 
já não me lembro de que dia, talvez de um dia 
em que era eu quem morria, 
um dia que começara mal, tinha deixado 
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta, 
e agora ali estavas tu, morta (morta como se 
estivesses morta!), olhando-me em silêncio estendida no asfalto, 
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto.

Manuel António Pina in atropelamento e fuga (2001) 

sábado, 8 de setembro de 2012

coisas




Está tudo bem, mãe,
estou só a esvair-me em sangue,
o sangue vai e vem,
tenho muito sangue.

Não tenho é paciência,
nem tempo que baste
(nem espaço, deixaste-me
pouco espaço para tanta existência).

Lembranças a menos
faziam-me bem,
e esquecimento também
e sangue e água a menos.

Que não se perturbe
nem intimide
o teu coração,
estou só a morrer em vão.

Manuel António Pina

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

"you know how to whistle, don't you, steve?" (as coisas que levamos connosco)


Harry Houdini
(m. 1926)

enterrado com as cartas escritas pela sua mãe a servir-lhe de almofada.
(Houdini venerava a mãe, e sempre que se encontrava em Nova Iorque, visitava a sua campa diariamente. fazia-o de madrugada ou quinze minutos depois da meia-noite, a hora da sua morte)




Rudolph Valentino
(m. 1926)

enterrado com uma "slave bracelet" feita em platina oferecida pela sua mulher.
(esta pulseira, com que andava sempre, era usada pela imprensa para o descrever como "demasiado efeminado")




Bela Lugosi
(m. 1956)

enterrado vestido com o seu figurino de Drácula.
(reza a história que no funeral, Peter Lorre ficou de tal maneira impressionado com o aspecto de Lugosi vestido de drácula que sussurrou para Vincent Price: "não achas que, só por precaução, devíamos espetar-lhe uma estaca no coração?")




Humphrey Bogart
(m. 1957)

enterrado com um apito de ouro colocado na sua urna por Lauren Bacall.
(esse mesmo apito foi-lhe oferecido por Bogart como recordação pelo primeiro filme que fizeram juntos: "To Have and Have Not". No filme a personagem de Bacall diz-lhe: "you know how to whistle, don't you, steve? you just put your lips together and... blow.")





Buster Keaton
(m. 1966)

enterrado com um rosário e um baralho de cartas.
(a sua mulher Eleanor, que lhe colocou os itens no caixão, revelou mais tarde: "assim, para onde quer que ele fosse, estaria preparado.")




Tallulah Bankhead
(m. 1968)

enterrada com uma pata de coelho oferecida pelo pai.
(as suas última palavras, sussurradas na cama de um hospital nova iorquino, foram " Codaína... bourbon")





Frank Sinatra
(m. 1998)

enterrado com uma garrafa de Jack Daniel's, um maço de Camel, um Zippo, um pacote de Life Savers com sabor a cereja, vários Tootsie Rolls, animais de peluche, um biscoito para cão, um rolo de moedas e uma nota da sua filha Tina que dizia "dorme bem, papá. toma conta de mim.".
(diz-se que as contas hospitalares, bem como as despesas com o funeral de Bela Lugosi, foram pagas por ele)


sexta-feira, 19 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010