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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

sexta-feira, 26 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

eu queria ser ninguém



não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver.

ninguém é quem queria ser.


terça-feira, 23 de junho de 2009

sábado, 4 de abril de 2009

as histórias quando se percebem é porque foram mal contadas

o mendigo: sou louco.
baal: saúde. já nos conhecemos. eu sou saudável.
o mendigo: eu conheci um homem que também dizia que era saudável. dizia. tinha vindo de uma floresta e uma vez voltou lá porque precisava de reflectir um pouco. achou a floresta completamente estranha e sentiu-se como se não tivesse vindo de lá. andou muitos dias, muitos dias sempre solitário porque queria ver até que ponto seria capaz de aguentar. mas já não era muito.
baal: que vento!
o mendigo: sim, o vento. numa noite, quase ao amanhecer, quando ele já não se sentia tão sozinho, foi andando através do enorme silêncio pelas árvores, e foi-se pôr debaixo de uma delas, que era muito grande.
bolleboll: foi o macaco que havia dentro dele.
o mendigo: sim, talvez o macaco. encostou-se a ela, muito junto, sentiu a vida em si, ou julgou senti-la, e disse: tu és mais alta do que eu e estás bem presa e conheces a terra bem até ao fundo e ela segura-te. eu posso correr e mexo-me melhor, mas não estou preso a nada e não posso descer até ao fundo. nada me segura.
gougou: o que disse a árvore?
o mendigo: o vento soprava. pela árvore correu uma tremura que o homem sentiu. então atirou-se para o chão, abraçou as raízes duras e selvagens e chorou amargamente. mas fez isto com muitas árvores.
ekart: e curou-se?
o mendigo: não. mas morreu mais aliviado.
maja: não percebo isso.
o mendigo: não percebemos nada. mas sentimos muitas coisas.


in baal
de bertolt brecht

quarta-feira, 25 de março de 2009

porque a beleza também se oferece...


(para a joana, a marta, a noa, o sombra e o billy)

sexta-feira, 20 de março de 2009

eram sobretudo pinheiros bravos. dos pequenos.


“que tempos são estes, em que
uma conversa sobre árvores é quase um crime
porque traz em si um silêncio sobre tanta monstruosidade?”

bertolt brecht






é hoje.

sexta-feira, 6 de março de 2009

cinco dificuldades para escrever a verdade IV

"(...) so many questions about the human condition, and they always dissolve to a single one: who am I?

and the answer to that question is: 'I am'.

when we are born we are given a name by which other people recognize us.
we are given a birth date to go along with the name, and we are told our gender.
then we are told the names of things and people surrounding us, subsequently we are told about the world, what is good and what is bad, what we are allowed to do and what not.
at some point, we will learn how to walk and explore the world on our own.
we will attain habits and learn to talk.
subsequently we will be told which religion we belong to, or if we have one.
and then at some other point, we will hear that we are going to die one day.
we are born and we die.
we will be told about god, about others who are different from us, which country we come from and what our people are called.
later we will be told other things too, more personal, more intimate things.
we will of course experience sensations and create ideas about what we are like, what the world is like.
we will start thinking, remembering, identifying ourselves with our ideas, our mind.
in short, we will become a person.
at this stage we already identify with the 'I-am-my-body' idea and this is where the suffering starts.
we take what we believe to know to be the true, to be an indisputable fact.
we believe things on hearsay and identify with them, we read about the world in books and newspapers, watch it on tv, we even believe to find proofs of our ideas in what surrounds us, we fantasize.

but where is this 'I' that I seem to know so well in the waking state, when I am sleeping?
where is this 'I' when I am dreaming?
and where is this ‘I’ when I’m in dreamless sleep? (...)"


jessie emkic


cinco dificuldades para escrever a verdade III

“what are you reading?” asks a man’s voice.
“arseny tarkovsky’s poems,” answers a woman in Italian.
“in russian?”
“no, it’s a translation... quite a good one.”
“throw it away,” the man says.
“why? the translator’s a very good poet,” she responds.
“poetry is untranslatable,” he continues, “like all art.”
“you may be right that poetry is untranslatable," she says, "but what about music? music’s for example...”
he interrupts her speech and begins to sing a tune in russian.
she smiles cynically: "what do you mean by that, what do you want to say?”
“it’s a russian song,” he replies.
“but how could we have got to know tolstoy, pushkin (without translation) and so understand russia?”
“none of you understand russia,” the man exhales.
“nor you italy then," she says, "if dante, petrarch and machiavelli don’t help."
"it's impossible for us poor devils," he utters.
"how can we get to know each other?" she asks him.
"by destroying frontiers."


in "nostalgia"
de andrei tarkovsky




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

de volta a setembro

porque isto não estava aqui.
e agora já está.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

cinco dificuldades para escrever a verdade II

1ª. ânsia.

2ª. desassossego.

3ª. apetite ( e é sobretudo sobre apetite que falo. uma espécie de concupiscência...).

4ª. prostração.

cinco dificuldades para escrever a verdade





"a necessidade de interrogar todas as coisas sobre o seu carácter transitório e variável.
(...) pois cada coisa depende de uma infinidade de outras que estão sempre a mudar: esta verdade é perigosa (...).
(...) por isso falam muito do destino.
mas é possível recusar os lugares comuns sobre o destino e demonstrar que é o homem que faz o seu destino."

bertolt brecht


domingo, 15 de fevereiro de 2009

sair

sinto que comecei no ponto em que acabaste.
(é tão injusta esta frase...)





















e agora já não há horas a mais dentro dos meus dias.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

entrar (esta orquídea viajou mil setecentos e quinze kilómetros)



acordar cedo. acordar tarde.
comprar o jornal. não ler o jornal.
os teus bilhetes espalhados pela casa.
ouvir-te dizê-lo. ver-te fazê-lo.

os meus dias têm horas a menos para tudo o que quero fazer contigo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

o desejo é construtivismo

barcelona 08



"se fores apanhado nos sonhos dos outros, estás feito."

Gilles Deleuze


sábado, 17 de janeiro de 2009

é do dylan thomas. é do bob dylan.





meu deus, que feliz que eu sou por não ser eu.






sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ó minha senhora...

há uns dias, num país que não o meu (o que é que isso quer dizer ao certo?), uma senhora (devia ter perto de 80 anos a senhora) com um sorriso imenso parou-me no meio da rua (apesar da noite, do frio e do caos feito de gente) e disse-me:

"deus te abençoe."

eu não tive tempo para lhe responder, minha senhora (até porque precisei de tradução para o que disse) e não sou propriamente um homem de fé (que mentira...) mas obrigado e igualmente, minha senhora.
obrigado.
e igualmente.