sexta-feira, 15 de agosto de 2008

i write sins, not tragedies



and someone said:
do you really think you can just put it in a safe behind a painting, lock it up and leave?

receita para um almoço na estrela









(para ti, que gostas de comida)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

i love you like an old song


she said:
and now what?

he said:
now put me in a chair, fuck me and make me a drink.

she said:
and then what?

and he said:
and then hear me play my violin again.


(first i fucked you, then i fucked you up.)

esta janela não é minha #1

un point c'est tout












ele disse:
nós os dias quase perfeitos,
as praias que ficam longe,
o vento,
os sumos sem melão,
os pastéis de belém,
as histórias que não começam,
os silêncios,
a tensão que sabe bem,
os bocados de coisas dispersos no ar,
os jardins com sol,
a tinta da china,
o Conrad,
as diferenças que aproximam em fole,
a tua pele,
as cicatrizes dos tempos de escola,
as ficções sem pudor,
os outros,
os dias que estão para trás,
a falta de noção do que se avizinha,


eu a vida em êxtase, dividida por casas sempre diferentes no alto das colinas e em bairros com jardim.

tu essa indefinição de quem quer agarrar tudo com as palmas das mãos cerradas.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

i drink life as it comes


she said:
it's all in the way we know that we could have it all.

and he said:
it's all in the face of what we thought we knew before.

zoo #11

noites de tiramisu


os factos, os risos, as rainhas, as verdades, as vontades e buenos aires.

(para as duas meninas e para o menino que ficou em casa doente)

i believe...


"i believe in the beauty of the car crash, in the elegance of automobile graveyards, in the mistery of multistorey car parks, in the poetry of abandoned hotels"

J.G. Ballard


pois...


a menina dança?


e ela disse:
sempre!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

por um fio



"o dever de todas as coisas é ser uma felicidade"

jorge luís borges

you do what you have to do and i'll do the same

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

zoo #10

a competição


ela disse:
agora peço silêncio às coisas que perdi.

ele sorriu.
e nunca mais disse nada.

"eu gosto de putos a roubar maçãs!"



(para a Alice)


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

big wet bottle in my hand, big wet rose in my mouth


and then she said:
it's all for you.
i'm a festival, i'm a parade, i'm a birthday candle, i'm a perfect piece of ass...

and he said:
yes you are... you're put together beautifully.
nothing can touch us tonight.

as raras consistências



las escasas consistencias del mundo
comienzam siempre en los rincones.
y las cosas olvidadas
guardam las únicas señales

roberto juarroz
"decimotercera poesia vertical"

can you "almost" make it?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

barcelona-porto/porto-barcelona


obrigado pela prenda.
(e ficas com um meu também!)

je suis...


mas isso quer dizer o quê?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

querer tudo e acreditar muito nisso


as coisas que se descobrem


ele disse:
eu vi que sou capaz.
eu consigo até sentir.

e ela disse:
isso vai fazer-nos tão bem...

exercise #1: how to speak with strangers


in a manner of speaking, semantics won't do

terça-feira, 5 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

bejahen #3


ela disse:
e dar não é sentir.
é ficar em paz.

a tragédia chegou ao fim, senhor trágico


"o que é que lhe dói?"

sábado, 2 de agosto de 2008

loose lips sink ships


don't look at me, i'm only breathing
don't look at me, i'm indiscreet
no one is asking so leave it alone
leave it alone
can we?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

"lundi... raconte moi des histoires..."


ele disse:
tu, os anéis grandes.
eu, a máquina.
tu, os vestidos.
eu, a caneta.
tu, os sítios.
eu, os nomes.
tu, o guincho (almoça-se bem, sim).
eu, a cinemateca.
tu, aquela esplanada perto do rio (que não ficava tão longe assim).
eu, à noite e a pé.
tu, em silêncio.
eu, o resto.

e tu não precisas de pedir nada.
às segundas eu conto-te tudo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

things to remember


a man can die only once.
we owe god a debt.
if we pay it today, we don't owe it tomorrow.

Henry IV de W. Shakespeare

segunda-feira, 28 de julho de 2008

zoo #9

insert a coin and try again


- nunca ouviste a palavra acreditar?
- uma vez. mas esqueci-me.

i knew these people






















voz
harry dean stanton

música
carlos bica




o eufemismo de qualquer coisa

o que ele pensou depois de tudo:

encontrar-te.
conhecer-te.
reconhecer-te.
descobrir-te.
amar-te.

e viver sem vergonha.

domingo, 27 de julho de 2008

zoo #8 (the pet)


i love my dog.

and she loves me.

zoo #7


as coisas que deixamos para depois


ele disse:
agora regresso a casa por outro caminho.
depois de amanhã nunca mais regresso a casa.

sábado, 26 de julho de 2008

zoo #6


ele, eu e ele outra vez


a ele é que acontecem as coisas. eu limito-me a acompanhá-lo.
não me queixo.
eu gosto de coisas simples e ele partilha esses prazeres comigo mas... é com ele que vocês deviam falar, não comigo.
não posso dizer que nos damos mal, não damos, ao longo dos anos aprendemos a conviver e agora discutimos muito pouco. mas é com ele que vocês deviam falar, não comigo.
ambos amamos e fomos amados, traímos e fomos traídos, quisemos coisas que mais ninguém quis, vimos as mesmas pessoas crescer e partir, vivemos os dramas dos outros com a precisão de uma navalha, lemos os mesmos livros, construímos grandes palácios para imperadores que não queriam morar lá, erramos ambos com os braços abertos,...
preciso mais dele do que ele de mim.
é com ele que vocês querem falar. ele é que sabe o onde, o quando, o como e o porquê. é ele que vocês querem. ele, não eu. ele.

está aí alguém?

zoo #5


sexta-feira, 25 de julho de 2008

qualquer coisa a fazer lembrar-nos


ela disse:
mas tu prometeste. tu disseste que iamos juntos até ao fim.


e ele disse:
sim. até ao fim da noite. só.

"vita nouva"


eu tinha os meus pés naquela parte da vida onde não se pode ir sem regressar.


dante alighieri

quinta-feira, 24 de julho de 2008

pois é... (desculpa lá qualquer coisa)



a conversa que se segue decorreu, como convém, num local público:

e ele disse:
vá, vá, sejamos adultos em relação a isto. pensava que a criança aqui era eu. 
sê forte. aguenta. eu estou a tentar ser o mais justo possivel. verdadeiro. porque o que importa é que haja verdade, não é? o que importa é que nos afastemos de consciência limpa. 
por favor não chores. espera que eu saia. eu não preciso de ver isso. se quiseres chama-me nomes feios. diz tudo o que fiz de errado contigo. mas não chores. o que é que eu posso fazer? eu nunca disse-----não, eu nunca disse nada desse género. 
o quê?
um mentiroso, sim. 
eu até pedia desculpa. sim, acredita, eu até pedia desculpa.
se me sentisse culpado.

zoo #4

terça-feira, 22 de julho de 2008

e pronto.

mas isto diz mais sobre ti...


uma coisa é o que eles falaram.
outra o que ele pensou em dizer:


sabes... uma liberdade desabitada será sempre a pior forma de solidão.



só isso.